[ BITOROCARA NEWS BLOG ]


Antônio Andrade Filho (Irmão Turuka), nasceu em 26 de janeiro de 1924, em Campo Maior, na casa de seus pais na Praça Rui Barbosa. Era filho do Coletor Federal Antônio Andrade e Ana Pereira Andrade (Anita), primos em 3º grau.

Fez seus primeiros estudos na Escola Valdivino Tito, situada na época, ao lado da residência de seus pais, onde funcionou o Novo Hotel. Estudou também na sua infância na escola de Dona Josefa Lima, indo complementar seus estudos no Colégio Diocesano em Teresina, em regime de internato. Ao final da década de trinta, o jovem rapaz retorna a Campo Maior. Algum tempo depois, enamora-se de uma bela jovem, eleita na época em concurso, miss Campo Maior. Descobre nela grandes virtudes que a fazia diferente das demais; mesmo enfrentando muitas restrições por parte do seu pai casa-se com a Dona Raimunda Rodrigues no dia 11  de novembro de 1944.

. Sem deixar de lado o gosto pela boemia e ao lado dos amigos inseparáveis Bona Neto e Aluizo Portela, cultivava ainda alguns hábitos de solteiro. Seu pai, chefe político, líder do PTB na cidade, na tentativa de ter um sucessor na política, impõem ao filho a candidatura de vereador, encontrando neste forte resistência. O mesmo não fez campanha, não pediu votos, nem compareceu à sessão eleitoral para votar,  no dia do pleito se refugiou  no bar do melhor amigo, Bona Neto ( Antônio Músico). Não se elegeu, sua vocação  não era mesmo  a política  e sim a luta a favor dos mais necessitados. 

 Inaugurou sua primeira farmácia com o nome de “Socorro Farmacêutico Santo Antonio”, na cidade de Altos. Na volta para Campo Maior, foi residir na Rua Senador José Euzébio, onde funciona hoje o Banco do Nordeste.  Na antiga Praça do Relógio instala a “Farmácia Popular,” onde conquista uma grande freguesia graças ao seu carisma e aos conhecimentos como farmacêutico prático. Dava sempre uma atenção especial aos mais carentes, realizando consultas e distribuindo medicamentos para os que não podiam comprar.

  Irmão Turuka fez ao longo de sua vida importantes amizades, porém uma delas, em especial transforma sua vida. Ao conhecer o Dr: Eli Nunes passa a estudar com ele a Doutrina dos Espíritos. Reúne logo depois um grupo de amigos, entre eles: Dr: Hilson Bona, juiz de direito; Dr: José Francisco, Dona Margarida Lobão, seu esposo e outros, para o estudo e a prática da Doutrina. Abandona alguns vícios e uma grande mudança acontece em sua vida. Incentivado pelo amigo Eli Nunes, funda em 12 de março de 1957, o Centro Espírita Caridade e Fé. Em terreno doado por seu pai, constrói uma área destinada às reuniões doutrinárias, de estudo e prática mediúnica. Em torno do espaço, surge depois uma vila de casas, construídas por ele para abrigar deficientes físicos, leprosos e anciões - criaturas excluídas que não tinham onde morar. Passa a cuidar destas pessoas com muita dedicação, como se fossem membros da sua própria família.

Continuando sua luta, transfere sua farmácia para à Av: Demerval Lobão, atendendo preferencialmente a  população mais carente. Em 1962, seu filho Antonio Andrade Neto se transfere para Fortaleza para continuar seus estudos, iniciados no No ano de 1965 é iniciado na Maçonaria juntamente com os amigos Dr: José Laurindo, Dr José Francisco Bona, Dr: Altivo da Costa Araújo e outros, na cidade de Teresina. Em abril de 1966 quando parecia se recuperar da perda do pai, um novo abalo; seu filho Antonio Neto, que já residia em Salvador, onde estudava e trabalhava no importante jornal “A Tarde“, morre em um terrível acidente juntamente com 14 colegas de trabalho. O duro golpe o deixa bastante arrasado, agravando o seu estado de saúde, pois seu coração já  apresentava sinais de fraqueza.

Atendia diariamente dezenas de pessoas no Centro Espírita Caridade e Fé e na Farmácia Popular que iam em busca de alimentos, medicamentos ou simplesmente de uma palavra amiga. Turuka sempre realizou visitas aos lares mais pobres, hospitais, cadeia pública.

 Foi um grande colaborador do jornal “A Luta”; correspondente da Rádio Clube de Teresina e de jornais da capital. Foi um dos idealizadores da construção do monumento dedicado aos heróis do Jenipapo juntamente com seu amigo Otacílio Eulálio.

 Era uma bela manhã de domingo, do dia 28 de junho de 1970, a seleção brasileira tinha conquistado o tricampeonato mundial de futebol. No país o clima era de festa. Irmão Turuka e um grupo de amigos foram para um agradável passeio na Serra de Campo Maior, entre eles: Prof. Raimundinho Andrade, Antonio Almeida, Bona Neto, Ferreirinha e Gesuino. Após o retorno da serra, um novo passeio até o sitio Cascata, juntamente com familiares. À noite, no interior da Farmácia, ao abrir alguns caixotes com seu filho Simão Pedro, uma dor aguda no peito interrompe o trabalho e mesmo com os cuidados do amigo e médico Dr:José Francisco, não resiste ao violento enfarte.  Cercado pelos filhos, pela esposa e pela mãe, fecha seus olhos para o mundo terreno. Seu cortejo é acompanhado por grande multidão, seu corpo é levado até ao Centro Espírita  e ao  Abrigo para as últimas despedidas. Eram muitos os órfãos. O Pai da pobreza como era conhecido por todos, tinha partido. 

Na foto abaixo membros da família do Irmão Turuka. Da esquerda para`a direita:

Paulo Andrade, Gorete(esposa do Paulo), Raimundinha(esposa do Turuka), Irene (filha) e o marido Erasmo, Manoel(genro) e Amparo (esposa).

Em cima, os netos  e o filho caçula, Simão Pedro. A filha adotiva Blandina está na lambreta, entre o Irmão Turuka e o Simão Pedro.

       

 

 



Escrito por NettodeDeus às 13h33
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 “A elite vivia em boas farras e a cidade era detentora do maior número de cabarés do Piauí. Fazendeiros e comerciantes mandavam buscar mulheres em outros Estados; era a força do poder econômico, oriundos da cera de carnaúba e do gado”. (João Alves Filho, no seu livro Mateus Rumo ao Céu, sobre a prostituição em Campo Maior)

 

Bitorocara: nettocampomaior@gmail.com 

De princípio, em entrevistas se conseguiu revelações como essas: “O major Honório Bona afirmava que enquanto fosse vivo a prostituição não acabava na Rua Santo Antônio(Informação verbal anônima). Um ex-frequentador da zona do meretrício afirma: “As mulheres vinham determinadas primeiros para certas personalidades locais, depois elas ficavam por aqui, vendendo seu corpo para os outros”. Depoimento de outro ex-frequentador da rua, que fala de sua vida de boêmio, explicita bem essa questão ao dizer: “Eu andei, muitas vezes, não nego. Eu me lembro de ter visto muita gente importante de Campo Maior na rua Santo Antônio”. E por fim, o cronista João Alves Filho confirma esta tese ao proferir: “De elevado poder aquisitivo, este município importou belíssimas mulheres que serviram na vida fácil aos Senhores Burgueses”.

 

 

 

Fonte: Rua Santo Antônio – A Prostituição feminina em Campo Maior - Celson Gonçalves Chaves

Foto: Cabeh

 

 



Escrito por NettodeDeus às 12h52
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Foi Prefeito de Campo Maior de 01-02-1967 a 31-01-1971. Era seu Vice-Prefeito José Neves da Silva.

Raimundo Nonato Andrade nasceu em Campo Maior a 07-09-122. Filho de José de Assis Andrade e Maria Rodrigues Andrade. Casado com Mirtes Bona Andrade. Professor e Político. Estudou as primeiras letras no Grupo Escolar Valdivino Tito e o Ginásio e 2º grau no Educandário Santo Antônio. Diplomou-se em Licenciatura Plena em Matemática, possuía cursos profissionalizantes e de formação em desenho (Cades), administrção de empresas (Rio de Janeiro), atualização pedagógica, feita em Curitiba-PR, diretor de ensino (Teresina-PI), cursos de desenho e artes, didática e ensino (Cuiabá-MT). Comerciário, comerciante, empresário e tesoureiro da Prefeitura Municipal de Campo Maior, Secretário Municipal de Educação de Campo Maior e Subsecretário de Educação do Piauí. Vice-Prefeito na gestão César Melo (1982-1988).

Destaques da sua atuação política e gestão:

Instalação da rede elétrica da Cepisa: inauguração do Fórum da Comarca de Campo Maior; restauração do prédio e inauguração do Banco do Estado do Piauí –BEP; Ginásio de Orientação para o Trabalho – GOT; Grupo escolar Marion Saraiva; pavimentação da cidade; reconstrução da Praça Bona Primo; inauguração da Rádio Clube de Campo Maior.

Quando os fundadores do movimento ecológico para a salvação do planeta, Greepeace ainda não tinham nascidos, o Prof. Raimundinho parece que já profetizava o estrago que o homem causaria ao meio ambiente na busca desesperada e gananciosa pela riqueza material; pelo dinheiro. Sua administração foi voltada, também, na recuperação de praças e jardins, arborização da cidade com rigorosa manutenção das praças e jardins que à sua época eram impecavelmente bem tratados – A Praça Bona Primo e a Praça Rui Barbosa eram consideradas as mais bonitas do Piauí. Construiu mais de uma dezena de escolas na zona rural; melhorou o aspecto da principal avenida, a Demerval Lobão, e da Avenida do Contorno do açude; construíu mais de 2.000 metros de esgotos. Inegavelmente, um bom e probo prefeito.

O professor Raimundinho Andrade faleceu em 16/01/1999.

Fonte: Geração Campo Maior – Reginaldo Gonçalves

 

BitorocaraNews: nettocampomaior@gmail.com

 



Escrito por NettodeDeus às 07h35
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




“Olha, nessa zona, a gente é obrigada a beber sem querer, é obrigada a aceitar qualquer homem que a gente nunca teve e nem viu; ninguém gosta disso; estou aqui por falta de apoio!”

A vida não era fácil para mulheres que perdiam a virgindade fora do casamento. A perda da virgindade seria motivo de execração por parte da família. E para aquelas que não se encaixavam dentro desse ideal cristão – as prostitutas – o preconceito era esmagador sobre as escolhidas para trilhar o caminho da difícil vida fácil.

No código de postura da cidade de Campo Maior, aprovado em lei nos anos 50, tem no seu capítulo X, do sossego e a ofensa à moralidade e segurança pública, rezada da seguinte forma: “ Art. 87º É proibido estar ou transitar nas ruas e praças desta cidade de nu indecentemente vestido ou disfarçado com roupa imprópria do seu sexo”.

 

Entre Meretrizes e Clientes

O Ritual da Bacia

“Naquela época, era época da bacia; acho que era humilhante para a mulher, mas elas faziam isso mesmo(...) ela pegava a bacia com água; tinha os depósitos de águas e lavava o pênis do homem com sabonete e enxugava. Isso, ninguém pedia, nem nada. Isso era da cultura”. (depoimento anônimo)

 

Fellinianas

A aguçada inspiração pejorativa de alguns cronistas e entrevistados anônimos ao descrever o perfil das prostitutas:

Rua Santo Antônio, com suas musas famosas, como a Paturi, a Chica Galinha, a Bate Marchas, a Bola Sete e a Maria Caça Homens. (Jornal Alfarrabos)

Era Forquite; por que Forquite? Porque só tinha um olho fundo e remelento. Tinha também a Piranha, a Lanzuda, a Moe-de-Vara (...), tinha a Maria Cal e a Cotinha.

 

Vênus da Planetária

E finalmente, na definição poética de Elmar Carvalho:

 

Calipígia, de belas nádegas navegantes,

de bela bunda popozuda e rebundolantemente ondulante,

de ondulante ancas e colos coleantes

Por mares Bravios de cios

 

Fontes: Rua Santo Antônio – A Prostituição Feminina em Campo Maior: Celson Gonçalves Chaves - Zona Planetária: Elmar Carvalho;

Jornal A Luta

BitorocaraNews: nettocampomaior@gmail.com

 



Escrito por NettodeDeus às 14h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Elmar Carvalho

Desde garoto, quando meu pai me levava a assistir as acirradas pelejas futebolísticas entre o Caiçara e o Comercial, no estádio Deusdedith Melo, em Campo Maior, passei a admirar a ingrata e espinhosa posição de goleiro, em que as falhas costumam ser fatais. É, portanto, a posição em que o atleta fica mais tenso e com os nervos em frangalhos, pois um “frango” pode ser o estopim de uma derrota, podendo o goleiro ser crucificado pela torcida e pelos seus companheiros, em verdadeira execração pública.

 Por isso mesmo, tenho sido, ao longo de minha vida, um admirador dos fabulosos e imortais goleiros Coló e Beroso, tendo certa predileção pelo legendário Coló, não só pelo fato de ser eu um caiçarino, mas também pelo seu estilo. Talvez, em decorrência dessa admiração, tenha me tornado um goleiro razoável, com atuações quase sempre regulares ou boas, em que também perpetrei as minhas levitações acrobáticas e ornamentais, em defesa de minha baliza.

            Pelo que consigo recordar e também pelo que tenho ouvido e lido, o Coló, magrinho, leve como uma ave, tinha umas “voadas” excepcionais, em que exercitava toda a sua elasticidade felina, projetando-se no espaço, para encaixar a bola em seu peito, ou segurá-la em suas mãos hábeis e precisas, ou espalmá-la, desviando o seu curso para fora de sua meta. Nessas “pontes”, conseguia arrancar aplausos longos e entusiasmados da torcida caiçarina. Nesses saltos ornamentais, verdadeiras acrobacias circenses, muitas vezes estraçalhava os nervos de seus torcedores, pois, quando o chute era propício, e a trajetória da bola o permitia, esse goleiro estiloso simulava deixar a bola passar, para em seguida saltar para trás e desviar o curso da bola, o que fazia a galera delirar e suspirar angustiada, em virtude do susto. Tinha um defeito em um dos dedos da mão, o que não lhe permitia espalmá-la plenamente; entretanto, agarrava a bola como segurança, como se tivesse mãos de onça ou tenazes. Era um tanto nervoso, às vezes, nas disputas esportivas, mas era quase sempre elegante no trato pessoal. Conta-se que, em certa ocasião, irritado com a torcida, abandonou a meta, em protesto contra a sua ingratidão e volubilidade. Amado e aplaudido pelos caiçarinos, foi inventada uma modinha, muito conhecida no auge de sua carreira, cuja letra dizia: “Coló quebrou a perna, / eu também quebrei a minha. / Coló colou com cola / e eu colei com Mariquinha.” >

            Beroso, que tinha esse apelido em razão de ser algo retraído, como se fosse um matuto, tinha um estilo mais sóbrio, mais contido. Ao que tudo indica, procurava controlar os seus nervos e emoções. Talvez fosse mais pragmático e objetivo em suas atuações, procurando focalizar mais a defesa em si do que efetuar “enfeites” em suas intervenções, embora, quando necessário, a exemplo de Coló, também soubesse executar “vôos” extraordinários. Segundo o grande craque Zé Duarte, um dos maiores atletas campomaiorenses, esse lendário goleiro, em certa ocasião, foi coberto por um lance. Instintivamente, esse arqueiro executou o pulo-do-gato, arremessando-se de costas para trás, desviando o curso fatal da bola, e efetuando uma cambalhota em pleno ar, para cair de bruços no chão, em legítimo “salto mortal”, como se fora um acrobata circense.

            Nessa época, os guardametas se vestiam de preto: camisa de mangas compridas e calções. Usavam um protetor branco, chamado suporte, que saía do calção e era dobrado por fora, formando uma espécie de cinta, que dava uma elegância toda especial à farda. Pelo que relembro, Coló e Beroso eram mais ou menos da mesma altura, sendo o segundo mais encorpado. Tinham uma boa estatura para a época, o que lhes dava uma boa presença e elegância em seus uniformes pretos.

            Numa enquete pessoal e sem os requisitos metodológicos e científicos de uma pesquisa estatística, tenho procurado saber qual dos dois teria sido melhor arqueiro. Nunca cheguei a nenhuma conclusão definitiva. Os torcedores do Caiçara “puxam” um pouco para o Coló, e os simpatizantes do Comercial, evidentemente, acham que o Beroso seria um pouco melhor. Ambos, creio, tinham aproximadamente a mesma idade e atuaram na mesma época, anos 60 e começo dos 70. Talvez, para resolver o imbróglio, com eqüidade e um tanto salomonicamente, fosse mais adequado dizer-se que, em determinadas fases e partidas, um atuasse um pouco melhor do que o outro, sendo certo dizer-se que ambos estão entre os melhores goleiros do Piauí de todos os tempos. Foram ícones incontestes de seus times, aclamados e aplaudidos pelos seus fãs, que incendiavam as ensolaradas tardes domingueiras de outrora, fase áurea do futebol campomaiorense, em que o Estádio Deusdedith Melo era um verdadeiro alçapão, onde os times forasteiros eram implacavelmente massacrados e trucidados. 

BitorocaraNews: nettocampomaior@gmail.com   

 



Escrito por NettodeDeus às 13h23
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Sul, CURITIBA, João de Deus NETTO, natural de Campo Maior [PI],, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Informática e Internet, Desenhar e Fazer Saliência
Histórico
    Outros sites
      UOL - O melhor conteúdo
      BOL - E-mail grátis
      jenipapoirado
      JENIPAPO NEWS
      PenaPicinês
      SetCuia Blog
    Votação
      Dê uma nota para meu blog